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Thermas do Rock: Programador Musical fala sobre a edição 2017

Thermas do Rock 2017

Batemos um papo com o técnico de programação musical do Sesc Thermas de Presidente Prudente André Locatelli, sobre a 10° Edição do Thermas do Rock, que rolará daqui uma semana. Ele falou sobre a expectativa deste ano e contou algumas novidades, como por exemplo, a criação de uma área de alimentação com Food Trucks.

Vale lembrar que a programação principal deste ano será:

  • 13/07 – Dead Fish + Matanza (A partir das 20:30 horas)
  • 14/07 – Scalene + Odair José (A partir das 20:30 horas)
  • 15/07 – The Baggios + Nação Zumbi (A partir das 20:30 horas)
  • 16/07 – Pequeno Cidadão (A partir das 16:00 horas – Gratuito)

Clique aqui e confira a programação completa.

1) Qual foi a inspiração para a criação do Thermas do Rock?

Locatelli: O festival faz dez anos em 2017. No seu início, o momento do Sesc e da cidade era outro. O Sesc havia acabado de chegar a Prudente, os técnicos de programação, que são as pessoas que pensam conceitualmente, produzem e executam as atividades culturais e esportivas do Sesc, eram outras, mas acredito que naquele momento houve uma percepção por parte das pessoas envolvidas na programação no sentido de que em Prudente existia uma demanda tanto de público quanto de artistas, que de uma forma ou de outra, era fomentada por eles próprios. Essa foi a deixa para que o Sesc programasse um festival que tentasse agregar grupos da cidade e bandas como, por exemplo, Uns e Outros e Inocentes – as primeiras a se apresentar no Thermas do Rock -, com uma boa estrutura de som e conforto para o público.

2) Como são escolhidos os artistas para o festival?

Locatelli: O exercício da curadoria tem por objetivo determinar o conteúdo do festival, normalmente obtido por meio de agrupamentos e articulações de semelhanças ou diferenças conceituais que os artistas possam revelar. Para isso, geralmente determina-se um conceito ou tema, a partir do qual se elabora o processo para obtenção de uma unidade. No campo da música a ação do Sesc prioriza difundir e circular trabalhos de relevância, fomentar a pesquisa na linguagem e formar plateias. Isso nos dá a tranquilidade de arriscarmos na curadoria de nossos projetos, e não só na área da música. Acho incrível, por exemplo, apresentar às gerações mais novas um trabalho como o do Odair José, um dos mais respeitados e importantes compositores brasileiros, lançando um ótimo disco de rock que é o ‘Gatos e Ratos’ de 2016, que ele apresenta no festival deste ano na mesma noite que o Scalene, um sopro de inovação na atual cena brasileira.

3) A música sertaneja é bem presente na cultura de Presidente Prudente. Como você avalia a importância de um evento como o Thermas do Rock para os amantes do gênero?

Locatelli: A música verdadeiramente sertaneja, ou caipira, é um patrimônio cultural do Brasil e tem a sua importância como criadora da identidade nacional, o que é diferente da música romântica com elementos do pop e country americanos que dominam as rádios nos últimos anos. E ela não está presente somente em Presidente Prudente ou no interior do estado, todas as grandes capitais e cidades médias tem casas especializadas nesse tipo de música, o que acho absolutamente normal. O que podemos destacar em Prudente é a presença de uma cena rock forte, plural e organizada, com bandas de anos de estrada, discos gravados e músicas próprias, com uma base sólida de fãs, como é o caso da Karburálcool, Semon, Dustt e Girassóis Hidráulicos, dentre outros tantos grupos que conheci. E o movimento dessas pessoas não para, novas bandas e projetos surgem a todo momento na cidade. Acho que a cena rock’n roll e a cultura do “faça você mesmo” da cidade é importante para o festival, não o contrário.

4) Este ano o festival completa 10 anos. Qual a melhor memória que você tem do evento?

Locatelli: Eu assumi como um dos responsáveis pela programação do festival em 2015 e a primeira coisa que fiz foi conhecer toda a história do festival desde o começo. Tenho certeza que passaram por aqui vários nomes importantes da música, com uma produção de qualidade e musicalmente relevante, bandas e projetos da cidade e da região, atividades formativas – oficinas, bate papos e palestras – para músicos profissionais e amadores, estudantes de música e o público geral, que é uma ação tão ou mais importante quanto o show do artista em si. Para mim, particularmente, a melhor memória foi a de ver o festival pela primeira vez no bosque. E acho que, de alguma forma, para todos os funcionários do Sesc também. O Thermas do Rock é um momento do ano com uma grande mobilização de todos para um único fim: o bom atendimento e a satisfação do público.

5) O que vamos encontrar no Thermas do Rock 2017?

Locatelli: De maneira geral a estrutura é muito parecida com a dos anos anteriores, com algumas diferenças aqui e ali. Para esse ano, organizaremos uma área de alimentação com food trucks, para atendermos melhor o público nesse quesito. Nas ações formativas, traremos quatro pessoas que construíram sólidas carreiras na música como Ricardo Alexandre, jornalista especializado que já foi editor da revista Bizz e diretor do filme “Sem Dentes: Banguela Records e a Turma de 94” para falar sobre como um dos maiores álbuns já produzidos em todos os tempos, o Sgt Pepper´s Lonely Hearts Club Band, do The Beatles, influenciou a música brasileira a partir de 1967; Mariana Piky Candeias, assessora de imprensa com um currículo notável com passagens pela MTV, Warner e Trama; o produtor Carlos Eduardo Miranda, que dispensa apresentações, e vem falar sobre produção musical para bandas iniciantes e, finalmente, Alexandre Mathias, jornalista e diretor musical do Centro Cultural São Paulo, que irá falar de mercado independente. Na parte artística, abriremos a noite do dia 13 com Dead Fish e seus respeitáveis 25 anos de estrada, seguidos do Matanza e seu countrycore e bom humor característicos. No segundo dia, se apresentam os ganhadores de um grammy de melhor disco de rock latino, o Scalene, e em seguida tem muita história em cima do palco, Odair José mostra por que ele é o compositor da primeira ópera rock do país e ainda é capaz de compor letras atuais que dialogam com as novas gerações. No terceiro dia de festival sobem ao palco dois representantes do nordeste, The Baggios de Aracajú – SE, com o seu rock básico, competente e psicodélico, e a Nação Zumbi, uma das bandas mais originais e importantes do Brasil, responsáveis diretos pelo surgimento do último movimento musical brasileiro, o mangue beat. Uma das surpresas de 2017 é um quarto dia de festival. O domingo fica reservado para as famílias com show da banda Pequeno Cidadão, capitaneada pelo guitarrista e compositor do IRA! Edgard Escandurra. E ao contrário dos outros dias, a entrada no domingo é gratuita. O festival ainda conta com uma programação estendida durante todo o mês. Abrindo julho, vários músicos da cidade se juntam para tocar os maiores clássicos do gênero na área de convivência do Sesc, e essa foi a maneira que encontramos de não privilegiar uma ou duas bandas da cidade em detrimento de tantas outras. Teremos ainda o show Moda de Rock!, que junta viola caipira, AC/DC, Kiss, Led Zeppelin, entre outros, e o grande Marcelo Nova que, acompanhado de seu filho Drake Nova, bate um papo com o público e toca, de forma acústica, os clássicos do rock que fizeram sua cabeça.

6) A organização e segurança são pontos em destaque do Thermas do Rock e demais eventos do Sesc. Este ano teremos alguma novidade?

Locatelli: Espero que não! rsrsrs

 

Sesc Thermas Presidente Prudente
Rua Alberto Peters, 111 – Jardim Petrópolis, Presidente Prudente – SP
Telefone:(18) 3226-0400